quarta-feira, 21 de junho de 2017

Overthinking Akira (e Ajin, Blame!, Knights of Sidonia, Ghost in the Shell)


Esse texto pode não fazer muito sentido. Por um lado, o filme também faz pouco sentido, então ninguém deve ficar muito chateado.

O filme aborda a gang do Kaneda, uma gang de motoqueiros que passam o tempo brigando entre si, arrumando encrenca e consumindo uma certa pírula, sabe-se lá de que, seguramente ilícita. Em meio a essa história, Neo Tóquio, que para variar foi arrasada por uma bomba nuclear em 86 ou 88, está ainda se reconstruindo, ou melhor, em ruínas, tanto fisicamente quanto espiritualmente. A cidade é governada por um conselho corrupto, as manifestações contra novos impostos e por melhor educação terminam em repressão severa pelo governo. Mais ou menos como nossos países Argentina e Brasil, sem terem levado uma bomba atômica sequer, estão hoje...'

Ah, além disso, claro, há algo como super humanos. Criados por uma junta do governo. E difíceis de se controlar. Basicamente o governo queria descobrir como ampliar as capacidades humanas, por drogas e tratamento alternativos, para dizer o mínimo, e supostamente, três casos deram certo. Três crianças muito feias.

A história só engata mesmo quando Kaneda e sua gang, entre brigarem com outras gangs e fugirem da polícia e evitar manifestações que fecham as ruas, acabam tropeçando em meio a uma das crianças poderosas que estão fugindo do governo. A criança é recapturada e com ela, o governo leva um amigo do Kaneda, supostamente para atende-lo por seus machucados, mas em realidade, para provarem uma droga ainda mais forte que aquela que produziu as próprias crianças.

Kaneda então descobre que há em meio ao povo um grupo rebelde contra o governo, que desconfia que existam essas experiências, e para se aproximar de Rey, de quem se enamora, e para resgatar seu amigo, se une a eles.

Ainda em paralelo, descobrimos que há um lugar ou pessoa chamado Akira, que à princípio todos tratam como mítico, mas logo a história nos mostra que se trata em realidade de uma quarta super criança que morreu no passado, por ser incapaz de controlar os poderes que possuía. É a partir de estudos do corpo do Akira que se desenvolve a droga aplicada a Tetsuo, amigo de Kaneda.

Desde o início o filme mostra que a sociedade toda era uma panela de pressão, e não demora para tudo ir para o inferno. O conselho tem sua máscara usurpada, revelando os corruptos, conforme as crianças e o Tetsuo vão fugindo ao controle dos militares e tudo termina numa perseguição ao Tetsuo que tem os poderes, e a capa, de um Sayajin, voando pela cidade, subindo ao espaço e criando campos de força ao seu redor. E se Tetsuo é um Sayajin ao estilo DragonBall, Kaneda é o JJ de Zilionk, mulherengo, super confiante, com deficiências claras em muitos setores, compensadas por seu grande senso de justiça e de lealdade aos amigos.

Kaneda, que havia a essa altura tornado-se quase um coadjuvante mostra a que veio. Pois ainda que Tetsuo seja capaz de destruir um satélite no espaço, ele sempre pega leva com seu amigo. Mesmo explodindo de raiva e mostrando-se ingrato e furioso, podendo destruir seu amigo com um só toque ou piscar de olhos, Tetsuo se detém, e isso vai dando ao Kaneda uma aproximação que ninguém mais teve.

A história toda culmina com as crianças usando o poder de Tetsuo e os seus para trazerem a Akira de volta a vida, logo, a soma do poder deles é tanta, que dá início a um novo Big Bang, criando um universo paralelo ou uma outra realidade, habitada inicialmente, por Akira, as três crianças e Tetsuo.

Com o poder que possuem, e a personalidade distinta que possuem, não é difícil imaginar que uma nova dicotomia irá surgir, com uma força criando e uma forma deformando e destruindo. Que Akira e Tetsuo logo serão deus e o diabo de suas novas realidades, não sem antes criarem um universo e vida, a imagem daquilo que eles próprios conheciam e já foram um dia. E que um dia, nesse universo, logo tudo se repetirá... E um novo universo irá surgir, de dentro do universo surgido de nosso universo que veio de algum outro universo...

De certa forma, todas esses universos dentro e universos podem conter todas as histórias japonesas possíveis, praticamente. Talvez os Ajins sejam um projeto que deu errado em alguma escala. Talvez Ghost in the Shell seja o futuro depois da quarta destruição de Tókio causada por Tetsuo e Akira. Talvez a alma humana saia da carne e migre para a tecnologia de vez, nos levando para o futuro de Blame!, e os humanos ainda humanos tenham fugido para o espaço, criando diferentes realidades, Macross, Knigths of Sidonia. Isso só prova que Elon Musk estava certo, provavelmente, e que estamos mesmo vivendo em uma realidade simulada, ou alternativa, e que nós com certeza não vamos ser tão egocêntricos de achar que somos a primeira realidade a criar tudo isso, né?

Talvez cada um desses futuros seja um dos distintos universos dentro dos universos, mas acho que Ghost in the Shell é um prequel obrigatório para Blame!, onde nos perdemos cada vez mais dentro das máquinas, até que nos perdemos das próprias redes em que criamos, e singularidades como o projeto 2105 iniciem uma nova era, e o que restou de nós, em cascas metálica-orgânicas, se torne pária do próprio mundo que um dia nos serviu, e ainda acreditando que são humanos como somos nós, ou como já houve alguma vez... Aliás, em Knights of Sidonia, na segunda temporada, os personagens assistem a um trailer de Blame! (som de inception explodindo alto!!)



E tudo começa aqui, em Akira...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Un brazuka en Argentina: Diário tres




Os argentinos têm trauma com dinheiro. É patológico, daria uma tese. E o início desse trauma vem de 2001, quando um dólar e um peso se separaram em valor. Para saber mesmo, o que foi isso, você precisa ver Vientos de Água. Uma co-produção Espanha-Argentina, que retrata dois tempos em paralelo: os fugitivos da guerra civil espanhola, vindos para a Argentina, e os fugitivos do curralito que foi 2001, com a quebra do país, que já dura uns 17 anos.

Enquanto o seriado marca bem o que foi a quebra de um país em 2001, ele precisava de um prólogo, para registrar as feridas que ficaram no país. Aqui tudo, praticamente tudo, é negociado no dinheiro. As pessoas temem os bancos, e os comerciantes mais, temem ter o dinheiro a receber dos cartões levado pelos bancos quando eles saírem do país, como se isso fosse acontecer amanhã ou depois.

Os argentinos também ainda amam os dólares, como quem nunca esquece uma ex-namorada. Mas aqui a coisa chega a ser meio sexual. Em parte, as casas e grandes aquisições do passado, feitas em "um peso um dólar", ainda são negociadas em dólares, ninguém quer perder o valor que pagou, mas ninguém consegue vender nada, com o dólar a 16 pesos cada, nunca foi tão distante a paridade do peso ao dólar, e nunca se ganhou tão pouco por aqui.

Agora, em outra parte, o Argentino do interior não aceita trocar qualquer nota de dólar. Ela não pode ter escritos, micro-rasgos nas bordas, manchas, carimbos (mesmo que bancários), nem estarem amassadas, nem serem de baixo valores. Apenas notas perfeitas como tiradas das gráficas. A regra se estende por alguma razão aos reais. Em contra partida, por vezes é difícil diferenciar uma nota do peso de um papel de pão, de tão amassada, escrita, rasgada, rasurada, molhada e secada, que esta.

Ou seja, não apenas ninguém aceita cartão, mesmo que seja débito, se te colocar uma taxa absurda (taxa da operadora do cartão, mais o risco de que os bancos partam a qualquer minuto do país, de novo), como também não aceitam qualquer tipo de nota. Se acentuarmos a equação com uma inflação galopante,  não é difícil você sair de casa com uns 1000 pesos, e voltar com duas bolsinhas de produtos e sem dinheiro algum... Ou ainda, passar aperto tendo dinheiro, pois a única nota que você tem, de dólar, está com um carimbo parcial do banco, que quase pode-se ler "contado mecanicamente", ou seja, alguém passou uma fita num bolo de notas, e parte do carimbo pegou, resvalou, sobre a primeira das notas, que veio justamente, parar na minha mão.

Não são tempos fáceis para o Argentino... ou um brazuka en Argentina.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Un brazuca en Argentina - Diario dos

Tom Hanks fez um bilhão de filmes "sessão da tarde", comédias leves para toda a família, como Quero ser grande, The Wonders (produziu), mas me lembro dele em um filme chamado "um dia a casa cai", onde um casal jovem e recém casado compra uma casa velha, lindíssima, por um ótimo valor, e é claro que estavam sendo enganados.



Logo notam que a casa que precisava de alguns ajustes passa a precisar de uma reforma pesada, e então começa a batalha, onde a casa parece estar contra seus moradores, quebrando e falhando sempre nos piores momentos.

O filme se arrasta nesta luta entre imóvel e família até concluir na casa de fim reformada.

Vou falar uma coisa, me sinto mal pelas famílias que alugaram minha casa nos últimos anos antes que eu viesse morar aqui.
Desde que chegamos, já revisamos o gás, instalação elétrica, compramos outra máquina de lavar, limpamos e matamos insetos em níveis de extinção em massa, apenas para eles voltarem no dia seguinte, e minha esposa teve a franja queimada pelo aquecedor a gás da água. O aquecedor dá casa, também à gás levou uma vida para voltar a funcionar, e ainda há muito por fazer.
Minha vida mudou de filme, fomos de "Um bom ano" para "um dia a casa cai". Mais, ainda enfrentarmos a pior praga de mosquitos que a própria Argentina jamaia viu, e tivemos duas tempestades de vento, que até uma banca de jornal saiu voando. Eram ventos de 90 km por hora!

E por fim, como se desgraça pouca fosse bobagem, minha filha que nunca teve febre na vida tem sua primeira febre alta quando a luz foi cortada no meio da noite. Luz, televisão, internet, telefone fixo. Só restando os celulares sem ninguém para poder chamar.

Uma coisa das casas aqui em Mar del Tuyú, a água é de poço, logo usamos uma bomba de água.


Por um lado, não pagamos água; por outro, quando acaba a luz, também acaba a água. E da-lhe trabalho em casa...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Un brazuca en Argentina - Diario Uno



<abre spoiler>

No filme Um Bom Ano, de Ridley Scott, 2006, Russuel Crowe é um operador da bolsa inglesa de sucesso, que acaba de realizar uma operação ousada para ganhar uma fortuna, mesmo sabendo que acabará investigado pela ação de fundos, ele sabe que o que fez não é ilegal, e ganha. Mas acaba afastado por uns dias para a investigação que se inicia.
Neste mesmo período ele vem a se inteirar que seu avô querido faleceu. Na França, num vinhedo que ele tinha e onde Russel, Max Skinner passava seus verões quando criança. Como único herdeiro, ele deve ir para lá para abertura da herança.
O plano é simples. Ir a França, receber a herança e voltar para Londres antes do fim de seu afastamento. Mas as coisas não saem assim.
Logo ao chegar Max é sobressaltado pelas suas lembranças de infância, dos verões que passou naquele espaço outrora paradisíaco. E claro, ele conhece alguém que seria o amor de sua vida.
Ao mesmo tempo que vender a propriedade vai se tornando mais e mais difícil, as coisas no escritório de Max vão deixando de ir bem para o Max. Seu sumiço prolongado o complica nas investigações e a solução da empresa é "dar-lhe férias".
Max se vê empacado numa cidade minúscula, com uma propriedade em ruínas e sem o emprego para voltar, ao menos não de imediato. Mas ao contrário de pirar, Max passa a restaurar a propriedade, sob a desculpa de valoriza-la, mas na verdade numa jornada de redescoberta sobre quem ele realmente era e seus próprios valores.
O filme conclui com Max largando o próprio emprego para se dedicar aos vinhos, e a família que incidentemente construiu novamente.

<fecha spoiler>
 
Meu próprio ano bom começou em fevereiro, com as férias do escritório vim a Mar del Tuyú, na Argentina em fevereiro, passar trinta dias.


Minha esposa ja tinha vindo em dezembro comas crianças e já estava ha dois meses por lá. Com minhas férias seria o terceiro mês das crianças em terras estrangeiras.

Cheguei na cidade debaixo de um temporal, cidade sem luz, com ruas inundadas e ânimos exaltados, cansado de 18 horas de viagem de porta a porta, e com um monte de coisas do escritório me assombrando, coisas que queria ter feito, coisas que deveria ter feito diferente. Cheguei de mal humor e pouco disposto a cuidar das crianças depois de dois meses de "liberdade" delas.


Mas o que aconteceu foi uma mudança incrível da minha rotina. Crianças que antes eram chatas, aqui sorriam, que antes acordavam as cinco ou seis da manhã, aqui dormiam até as oito, nove. Minha esposa e eu voltamos a ver seriados juntos, filmes, e conversar, longas e deliciosas conversas enquanto empurrávamos os bebes em seu carrinho, indo de um lado ao outro.

Lembrei de minha própria infância, quando ainda podia brincar na rua, fazer brincadeiras de mangueira vestindo só a cueca. Lembrei daqueles domingos preguiçosos, domingos domingo que nada abria e a banda Biquíni Cavadão cantava "mas não vejo nada, que eu possa fazer, só esperar Segunda acontecer...", reclamando dos domingo lerdos que se arrastavam, e como senti falta disso. De tudo isso.


Esses dias em fevereiro, vendo as crianças brincarem na grama, e rindo o dia todo, foram juntos, o nosso "dia do fico". Foi quando decidimos dar adeus a cidade de São Paulo, para conquistar domingos parados, de tudo fechado (tudo mesmo), e dar às crianças a chance de terem infância, brincarem na rua, e crescerem, felizes.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Un brazuca en Argentina - Prólogo

Oba! Parece que está sem trânsito, saindo agora!
Me mudar de país, largar meu emprego, que eu amo e me considero bom nele, para vir não apenas para a Argentina, mas para uma cidade minúscula chamada Mar del Tuyú, com sete mil habitantes, foi algo que eu nunca achei que realmente faria.

Eu quero dizer, há sete anos atras compramos uma casa aqui, que alugávamos para recuperar parte do dinheiro investido e também, não mantê-la fechada, mas também com a intensão de ter filhos e vir morar aqui. Esse sempre foi o plano. Mas os filhos não vinham. E eu mudei de empresa e comecei a gostar do que fazia. E fomos ficando cômodos com nossa casa e nossa vida.

Porém, em algum momento de 2015/2016 o mundo começou a nos dar sinais. Conseguimos engravidar, logo após o falecimento do avô da Minha esposa, e minha própria avó faleceu durante a gravides. Então foi o pai da minha esposa que morreu, sem que ela pudesse viajar para prestar suas homenagens, pois estava grávida de gêmeos e houveram complicações.

Do apartamento que alugávamos, primeiro o fosso do elevador alagou, nos obrigando a um auto exílio a casa dos meus pais, pois ela não podia subir escadas. Depois dono do imóvel o perdeu na justiça numa disputa da família e foi obrigado a colocá-lo a venda, nos forçando a mudar para o imóvel de um amigo e salvador, durante a semana do parto.

O pós-parto começamos a ver que passamos a gastar mais do que ganhávamos, com os bebês minha esposa largou dois empregos, e por eles eu passei a gastar uma fortuna em leites, pela intolerância a lactose que um deles teve.

Chegou o dia que cheguei em casa, minha esposa semi louca entre um que estava doente, outro que chorava de fome, as mamadeiras pegaram fogo no processo de colocá-las-para-ferver-para-higienizar-e-esquecer-delas, e eu chegava tarde de uma viagem de negócios. Foi o oposto do dia do fico. Foi o dia do vamos, mas não sabíamos disso ainda.

A decisão de mudar não nasceu da loucura daqueles dias, mas da paz abissal de outros meses mais tarde...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pokemon me ensinou paternidade


Por incrível que pareça, um desenho que por dez anos, um garoto de dez anos persegue pokemons para promover rinha de animais me ensinou algo de paternidade.

Sei que o mundo maluco de Pokemon, onde há uma férias de verão eterna, e nenhum pai, poucos adultos, todos clones entre sí, pode parecer improvável de ensinar isso, mas não me refiro à relação dos personagens com seus pais, mas sim deles com seus animais.

Particularmente entre Ash e seu dragão Sharizard, a forma como o dragão nunca faz o que seu mestre manda, mais especificamente. 

Filhos de sete meses você nota que te entendem, você pergunta, "cadê o Lucas?", e o danado se esconde para se mostrar depois e então rir quando você falar "aquiiiii".

Agora, a parte estes comandos, eles parecem deliberadamente fazer o oposto do que você pede, mais para o Shadow no Ajin, temporada um.

Mas mesmo quando fazem tudo que você pediu para não fazerem, mesmo quando tudo que você planejou da errado e você perde um torneio Pokemon, não da para não abraça-los em lágrimas e querer eles mais que tudo. Exatamente como no Pokemom.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Teaser Marvel Guerras Infinitas


E saiu o vídeo do primeiro dia de filmagem do próximo grande passo da Marvel: Guerra Infinita, com Homem Aranha, Star Lord e Homem de Ferro. Dá para imaginar o que vem por ai?

A Mel do Plantão Nerd, e sua equipe, fizeram uma excelente leitura do que podemos esperar desse pré-teaser, para conferir, veja seu canal do YouTube: